A educadora social, coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário e co-gestora da Rede de Bibliotecas Comunitárias LiteraSampa Bel Santos Mayer destacou para o Blog do III Fórum Internacional Brasil Cultura 23─30 alguns dos temas que serão abordados em sua participação no debate.
O Painel “Territórios de cultura como artefatos para a educação e a inovação social” acontece no dia 18 às 14h30, no Museu da Língua Portuguesa.
A seguir os destaques:
O poder transformador da ficção
“A palavra, a ficção, o sonho e o imaginário têm um papel essencial em nossa capacidade de transformação. Eles não apenas influenciam a nossa vida pessoal, mas também a vida dos outros ao nosso redor. Esses elementos nos permitem questionar a realidade, ter uma leitura crítica daquilo e perguntar qual é o destino que se quer construir. Ao fazer isso, podemos moldar nossos destinos, tornando-nos autores de nossas próprias histórias, em vez de simplesmente aceitar um destino predefinido.”
Futuros imaginados
“Precisamos valorizar os saberes simples que foram abandonados. Estamos na era da Inteligência Artificial, e é crucial cuidar dos conteúdos para evitar a reprodução de preconceitos. O futuro deve nos levar a desacelerar e refletir sobre como chegamos aqui. Se ainda temos florestas, é graças aos saberes ancestrais que as plantaram. Se ainda podemos dar abraços, é porque aprendemos a valorizar o calor humano.
Imagino um futuro onde valorizamos tecnologias simples que nos sustentaram até agora. Devemos priorizar as relações humanas em vez de confiar excessivamente nas tecnologias virtuais. O futuro que imagino é onde aprendemos que, apesar das ótimas tecnologias, hospitais e especialistas, o mais importante é garantir a saúde. Acredito nisso.”
Inteligência artificial
“Não temo a inteligência artificial, mas me preocupo com políticas que substituam pessoas por IA e com uma educação que a trate como verdade absoluta. Trabalho com perguntas, histórias e questões, não com verdades. Quem trabalha com literatura não se sente ameaçado pela IA porque lida com o que não está dito. A literatura ensina a fazer perguntas, e quem pergunta enfrenta a vida com menos medo. Digo aos jovens e educadores que o conteúdo da IA é criado por humanos; ela apenas conecta informações. Se não colocarmos elementos humanos no mundo, não podemos esperar que a IA nos humanize.”
Do projeto a prática
“Para que a transformação ocorra, é fundamental que as ideias sejam convertidas em projetos coletivos e isso requer escuta e o envolvimento de toda a comunidade. Quando chegamos em Parelheiros com o projeto de leitura, nós tínhamos a pergunta: “e se a gente levasse tudo que sabemos, as melhores pessoas e os melhores materiais para um território que fosse cheio de desafios”, mas não tínhamos a certeza de como poderíamos contribuir.” Ouvimos professores, agentes de saúde, lideranças religiosas e comunitárias.”
Para saber mais sobre Bel Mayer
Vídeo: Minha história: Bel Santos Mayer (Biblioteca Mário de Andrade)
Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias – LiteraSampa


Deixe um comentário